No sudeste do Pará, indígenas enfrentam pandemia com falta de estrutura, demora nos testes e risco de fome

17-06-2020 Quarta-feira

Por Tiago Miotto, da Assessoria de Comunicação do CIMI

O acelerado crescimento dos casos de covid-19 nas aldeias do sudeste do Pará vem gerando preocupação entre indígenas e apoiadores. A crise, agravada pela falta de estrutura para o atendimento e a prevenção dos casos, pode se acentuar ainda mais com a insegurança alimentar em algumas aldeias da região.

É o que apontam lideranças indígenas e integrantes da Rede de Apoio Mútuo aos Povos Indígenas do Sudeste do Pará, uma articulação de diversas organizações, pesquisadores e indigenistas que nos últimos meses vem realizando campanhas de solidariedade junto aos povos da região, reivindicando medidas junto ao poder público e sistematizando dados e informações sobre a situação nos territórios.

“Estamos temendo muito que agora, além do vírus, chegue também a questão da fome”, alerta Zélia Maria Batista, missionária do Cimi Regional Norte 2 e religiosa da congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas.

A falta de alimentos, segundo a missionária, vem assolando especialmente aldeias dos povos Suruí Aikewara e dos povos Guarani Mbya e Atikun, menos assistidos pelo Estado e com menos recursos externos.

A região possui grande extensão territorial e a grande diversidade de povos também se reflete nas variadas dificuldades enfrentadas nas aldeias e cidades – como é o caso dos indígenas Warao que migraram da Venezuela e vivem atualmente em Marabá.

“Os povos que acabam tendo mais risco são os que estão mais próximos ou costumam ir mais para a cidade”, avalia Bernardo Tomchinsky, integrante da Rede de Apoio e professor da Faculdade de Biologia da faculdade de biologia da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

Na avaliação do pesquisador, a proximidade com as cidades, a passagem de estradas e a existência de grandes projetos são alguns dos elementos que aumentam a vulnerabilidade dos territórios.

É o caso das Terras Indígenas (TIs) Sororó, do povo Suruí Aikewara, Trocará, do povo Assurini do Tocantins, e Xikrin do Cateté, todas cortadas por rodovias federais. A TI Mãe Maria, do povo Gavião, além de também impactada por uma estrada, é cortada pelas linhas de transmissão da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, da Eletronorte, e pela Estrada de Ferro Carajás, sob administração da mineradora Vale.

A relação da empresa com a covid-19 na região, aliás, pode ser ainda mais profunda: em maio, a mineradora registrou uma explosão de casos entre trabalhadores do Complexo Carajás, especialmente no município de Parauapebas. Hoje, a cidade é a que registra a segundo pior estatística do Pará, com 5.658 casos e 98 óbitos por covid-19 confirmados no dia 15 de junho. O município com cerca de 200 mil habitantes fica atrás apenas da capital do estado, Belém.

Parauapebas é uma das cidades próximas à TI Xikrin do Cateté, que também registra a pior situação no sudeste do Pará em relação ao número de casos e de óbitos. Segundo a Rede de Apoio e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), já estão confirmados 257 casos de indígenas com infecção por covid-19 e sete óbitos decorrentes da doença entre o povo Xikrin.

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“Eu acredito que a Sesai foi muito omissa na chegada do vírus nas aldeias. Ela não entrou fazendo um movimento de conscientização das comunidades indígenas. Faltou um pouco de olhar, atenção, se preparar, enfrentar mesmo”, critica Concita Sompré, liderança da aldeia Kyikatêjê, na TI Mãe Maria, e integrante da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa).

Segundo os dados compilados pela Rede de Apoio aos Povos Indígenas do Sudeste do Pará, no dia 14 de junho já existiam 574 casos de covid-19 entre os 12 povos que vivem nos 17 territórios da região e no município de Marabá, caso dos indígenas Warao que migraram da Venezuela. A rede contabiliza ainda 19 óbitos na região, abrangida pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Guamá-Tocantins e Kayapó do Pará.

A Sesai não divulga publicamente os dados por terra indígena, apenas por DSEI. Ainda assim, a diferença entre o levantamento da Rede de Apoio e os dados publicados diariamente pela Sesai indicam a dificuldade para identificar a real proporção do problema.

Na tarde do dia 15 de junho, o boletim epidemiológico da Sesai indicava a existência de apenas um óbito nas quatro terras indígenas abrangidas pelo DSEI Kayapó do Pará. Segundo a Rede, entretanto, já ocorreram pelo menos cinco mortes por covid-19 na TI Kayapó, onde há pelo menos cem casos confirmados.

O boletim da Sesai também indicava, nesta data, 279 casos confirmados e dez óbitos por covid-19 em toda a área de abrangência do DSEI Guamá-Tocantins. No mesmo dia, a Rede de Apoio registrava, apenas nos 13 territórios que monitora e que ficam localizados sob a área de abrangência do DSEI, um número consideravelmente maior, com 474 casos e 14 óbitos.

“O número faz com que a ação do governo, os olhares de fora, se voltem para a questão indígena. A Sesai está omitindo números para fazer parecer para o governo que está tudo bem”

Falta de transparência e subnotificação

Pode-se ter uma dimensão da subnotificação das estatísticas oficiais quando se leva em conta que, fora da região monitorada pela Rede, o DSEI Guamá-Tocantins abrange outras 13 terras indígenas em regiões como a do Baixo Tapajós e a do nordeste paraense – sem levar em consideração os territórios não demarcados e as populações indígenas em contexto urbano.

Questionado, o DSEI informou que atende 40 povos indígenas distribuídos em 215 aldeias – bem mais do que os 12 povos monitorados pela Rede de Apoio no sudeste do Pará.

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“Existe muita subnotificação. Tem que ter transparência, são informações públicas”, critica Maria Cristina Macedo Alencar, professora da Faculdade de Educação do Campo da Unifesspa e integrante da Rede de Apoio aos Povos Indígenas do Sudeste do Pará.

“Uma das grandes dificuldades que a gente tem é que o Dsei e a Sesai não estão repassando as informações”, corrobora Tomchinsky. “Então, desde o começo, sabemos que as informações oficiais não correspondem ao que está acontecendo nos territórios”.

Na avaliação de Concita Sompré, ocorre uma omissão nas ações e também na veiculação de informações. “O número faz com que a ação do governo, os olhares de fora, se voltem para a questão indígena. E eu acho que é isso que a Sesai está fazendo, omitindo números para fazer parecer para o governo que está tudo bem”, pontua.

“Vamos lutar pelos demais para que isso não se alastre tanto”

Warini Suruí, vítima de covid-19 aos 85 anos, era um dos narradores orais do povo Suruí Aikewara. Foto: arquivo pessoal

Warini Suruí, vítima de covid-19 aos 85 anos, era um dos narradores orais do povo Suruí Aikewara. Foto: arquivo pessoal

Histórias interrompidas e memórias traumáticas

Enquanto os números – ainda que subnotificados – indicam a gravidade da situação, internamente, as comunidades indígenas sofrem com a perda de lideranças históricas e anciões que guardavam parte importante da memória coletiva de seus povos.

Foi o caso das lideranças Sakamiramé e Vanda Ponakatu, anciões do povo Asurini que morreram vítimas de covid-19 no final de maio, e da importante liderança Bepkaroti Xikrin, que faleceu da doença causada pelo coronavírus no dia 31 de maio.

No dia 4 de junho, a covid-19 fez do ancião Warini Suruí, de 85 anos, a primeira vítima do coronavírus entre os Aikewara. Forçado pelo exército a servir de guia e trabalhador braçal na época da repressão Guerrilha do Araguaia, Warini foi um dos sobreviventes e guardiões de um período de profundas violações que, na memória de seu povo, ficou conhecido como o “tempo da guerra”.

“Ele foi um grande guerreiro aqui no povo Aikewara, e além de ser um grande narrador das histórias orais, ele foi um grande lutador pela demarcação da nossa terra indígena. Estava empenhado com a demarcação dos limites”, relembra Winurru Suruí, neto de Warini.

Winurru é um dos autores do relatório “’O tempo da guerra’: os Aikewara e a Guerrilha do Araguaia”, uma das referências utilizadas pela Comissão Nacional da Verdade na sistematização das violações da Ditadura Militar contra os povos indígenas. Warini, com suas memórias, ofereceu uma importante contribuição para o registro deste período histórico.

“Meu avô contribuiu muito com nosso povo, a história dele foi muito grande”, conta Winurru, relembrando o papel de Warini na luta pela demarcação da TI Sororó. “Ele era uma das pessoas que eram o ‘mapa’, ele tinha na cabeça os pontos certos do território, conhecia os limites. Por ele, vamos lutar pelos demais para que isso não se alastre tanto, vamos batalhar em nome dele”.

A ocorrência de mortes em massa após a chegada de epidemias não é uma novidade para os povos indígenas, e foi uma decorrência comum de diversas experiências desastrosas de contato forçado pelos não indígenas. No caso do povo Gavião, a memória traumática dos conflitos ocorridos quando o contato com os não indígenas se estabeleceu de forma definitiva ainda é viva nas lembranças de alguns anciões, e foi trazida à tona após a primeira morte causada pelo coronavírus na TI Mãe Maria.

“Foi uma coisa chocante para a comunidade, e lembrou os velhos o tempo da guerra, da fugida dos vírus. Trouxe de volta muitas coisas que marcaram a memória deles, na década de 50, 60, quando muitos morreram. Eles falavam ‘queremos ficar longe, o bicho vai matar a gente’. Criou um pânico”, relata Concita Sompré.

A liderança conta que, por causa disso, alguns desses anciões decidiram se refugiar na mata, fora das aldeias onde temem que o vírus possa estar circulando. “Só que na época eles viviam fugindo, mudando de aldeia… aqui, não tem como fugir tanto. Mas eles estão lá, estão bem. São cinco idosos, que estão acompanhados de seus netos e filhos, e nós estamos acompanhando eles”, explica.

Além dos traumas, as especificidades culturais também tornam a experiência da pandemia especialmente dura para os povos indígenas, e motivaram uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) do Pará para que o Dsei Guamá-Tocantins garantisse que os funerais de indígenas do povo Xikrin do Cateté ocorressem no interior da terra indígena, com as devidas precauções de segurança.

O Dsei acatou a recomendação e ampliou a medida para outros povos. A professora Maria Cristina avalia, entretanto, que existe uma tendência a culpabilizar os indígenas pelos casos que ocorrem em suas comunidades e, em alguns casos, pelas suas próprias mortes. Essa narrativa, pontua, oculta o fato de que a covid-19 só chegou às aldeias devida à falta de ações preventivas por parte do Estado.

“A equipe da Sesai, desde março, deveria ter se preparado, para evitar chegar ao ponto em que se precisa de respirador. É uma violência tirar uma pessoa que está à beira da morte de perto de seus parentes, ainda mais uma pessoa idosa. E é duplamente violento quando essa pessoa é de outra cultura, quando morrer para ela tem outro significado”, afirma.

“Pela falta de intervenção imediata da Sesai assim que começaram os primeiros sintomas, a situação foi se agravando”

Povo Suruí Aikewara, durante celebração da Semana dos Povos Indígenas, em 2019. Foto: Zélia Maria Batista/Cimi Norte 2

Povo Suruí Aikewara, durante celebração da Semana dos Povos Indígenas, em 2019. Foto: Zélia Maria Batista/Cimi Norte 2

Sintomas típicos, demora nos testes

Lideranças indígenas e integrantes da Rede de Apoio aos Povos do Sudeste do Pará chamam atenção para uma situação que se repete em diversas aldeias da região: ao longo das últimas semanas, diversos indígenas apresentaram sintomas gripais, em alguns casos bastante intensos, mas os testes para covid-19 demoraram a ocorrer.

“No território Mãe Maria, a covid já adentrou em quatro aldeias. No final de abril apra o início de maio, os primeiros casos começaram a acontecer. Só que a Sesai não deu muita atenção para os sintomas, apesar de haver desde março casos em Marabá”, critica Concita Sompré.

“Pela falta de intervenção imediata da Sesai assim que começaram os primeiros sintomas, a situação foi se agravando, porque dentro das comunidades aqui, algumas continuaram com suas práticas culturais, fazendo o isolamento da cidade, mas não fazendo o isolamento interno. Então, dentro da comunidade, continuaram a acontecer reuniões familiares, jogos de flecha”, relata a liderança.

O povo Suruí Aikewara vivenciou situação semelhante na TI Sororó, onde muitos indígenas passaram algumas semanas com sintomas gripais na aldeia Sororó, a maior das sete do território. Sem testes, desconfiavam das características do surto de gripe.

No dia 14 de junho, segundo a Rede de Apoio Mútuo aos Povos Indígenas do Sudeste do Pará, testes rápidos realizados pela Prefeitura de Marabá identificaram a presença de pelo menos 134 pessoas confirmadas com covid-19 na terra indígena, onde a doença já provocou duas mortes. Questionada, a Sesai respondeu, no dia 15 de junho, que identificou apenas oito casos de covid-19 a partir de 18 testes realizados na terra indígena – a Prefeitura de Marabá, em comparação, realizou 211 testes, segundo relatório da Rede de Apoio.

A situação preocupante soma-se com a falta de médicos para atender a terra indígena. Murué Suruí, agente de saúde indígena da aldeia Sororó, conta que o polo local do DSEI Guamá-Tocantins possui apenas duas médicas para atender 28 aldeias. Com a alta demanda, elas utilizam um sistema de escalas que acaba deixando a terra indígena sem médicos por longos períodos.

“A médica passou quinze dias aqui e saiu para a folga, agora estamos apenas com a técnica e com a enfermeira. Uma médica seria essencial nesse momento. Por mais que as enfermeiras estejam seguindo as orientações dela nesse momento, ela é que tem autonomia para fazer receita, mudar a medicação”, explicou a agente no início de junho.

A situação crítica não é exclusividade dos Aikewara. Questionado, o DSEI Guamá-Tocantins informou que seus nove polos base dispõe de apenas 11 médicos para atender 215 aldeias e 40 povos numa área que se estende por grande parte do Pará, cobrindo inclusive pequenas partes do Amazonas e do Maranhão.

“O estado entrou com uma interveção no apoio graças à articulação nossa, indígena. Está partindo das populações indígenas essa reação, porque da parte de quem deveria, não partiu nada”

Aldeia Gavião Kyikatêjê, na Terra Indígena Mãe Maria. Foto: aldeia Gavião Kyikatêjê

Aldeia Gavião Kyikatêjê, na Terra Indígena Mãe Maria. Foto: aldeia Gavião Kyikatêjê

Pressão e mobilização

Com a covid-19 chegando nos territórios e a falta de estrutura da Sesai para garantir a proteção das aldeias, os povos indígenas da região passaram a se organizar para estabelecer barreiras sanitárias e medidas de isolamento, cobrar medidas do poder público e buscar também o apoio de parceiros e a assistência do estado e de municípios.

Na TI Mãe Maria, por exemplo, a Fepipa conseguiu que o governo estadual do Pará realizasse testes rápidos nas aldeias para verificar a prevalência do coronavírus nas aldeias do povo Gavião.

“O estado entrou com uma interveção no apoio graças à articulação nossa, indígena. Mas a Sesai mesmo não está atuando. Agora, a Funai entrou no circuito, porque estava omissa também. Ou seja, está partindo das populações indígenas essa reação, porque da parte de quem deveria, não partiu nada”, afirma Concita Sompré.

Ela também destaca as medidas de distanciamento social que os próprios Gavião definiram depois que os primeiros casos apareceram na TI Mãe Maria. “Fechamos as portas no início de março, isolamos totalmente na segunda quinzena de maio e passamos a fazer o isolamento social interno. Nós mesmos, não pelo sistema que deveria ter feito isso”.

Foi por pressão dos indígenas e de parceiros que foi garantida a construção de uma unidade do exército para o atendimento de casos de covid-19 na TI Xikrin do Cateté. Também foi a partir da mobilização de indígenas e da Rede de Apoio que o hospital de campanha de Marabá destinou uma ala com dez leitos clínicos exclusivamente para o atendimento de indígenas com covid-19.

“Nossa grande preocupação é garantir uma alimentação adequada para que os idosos possam se recuperar e tenham a imunidade para resistir”

Colheita de arroz na roça comunitária da aldeia Sororó. Segundo Rede de Apoio, indígenas que vivem em outras aldeias da terra indígena passam dificuldades durante pandemia. Foto: Kaipi Suruí

Colheita de arroz na roça comunitária da aldeia Sororó. Segundo Rede de Apoio, indígenas que vivem em outras aldeias da terra indígena passam dificuldades durante pandemia. Foto: Kaipi Suruí

Insegurança alimentar

Os impactos do novo coronavírus podem ser agravados, no caso de alguns povos da região, pela iminência de uma situação de insegurança alimentar, que já atinge aldeias do povo Suruí Aikewara. A avaliação dos apoiadores é de que essa situação é especialmente grave entre os povos que, como os Aikewara, Atikum, Assurini e Amanaé, contam com menos recursos externos para enfrentar a pandemia.

“As cestas básicas que chegaram da Funai são reduzidas, com poucos itens e quantidade pequena, que dá para uma, até duas semanas. E são muitas pessoas para se alimentar”, explica a missionária Zélia Maria Batista.

Ela preocupa-se especialmente com a situação na TI Sororó, onde o surto gripal contribuiu para que os Suruí Aikewara tivessem menos condições de trabalhar nas suas roças, que formam base importante de sua alimentação.

“Quem não ficou doente de febre, pneumonia ou agora de covid-19, ficou cuidando dos outros que estavam doentes”, relata o professor Bernardo Tomchinsky.

“Eles possuem uma roça comunitária, só que ela fica na aldeia Sororó, que é a aldeia mãe. Tem outras seis aldeias pequenas, com muitos idosos que também passam por necessidade e não têm os roçados, não têm a caça”, explica a irmã Zélia.

A missionária explica que, para tentar contribuir e evitar que a combinação entre fome e covid-19 tenha um desfecho trágico para os Aikewara, a Rede de Apoio realizou uma ação solidária para distribuição de suplementos vitamínicos e alimentos aos indígenas.

“Isso já é de tempos, mas se agravou agora com a pandemia. Agora, nossa grande preocupação é garantir uma alimentação adequada para que os idosos possam se recuperar e, caso sejam infectados pelo vírus, tenham a imunidade para resistir”, avalia a missionária.

Os próprios Suruí Aikewara estão realizando campanhas de arrecadação de alimentos, para garantir a sua sobrevivência em meio à pandemia. “Estamos pedindo doações porque não estamos querendo sair da aldeia para ir na cidade. Para nós é importante ficar isolado”, afirma Murué Suruí.

“Também estamos com ações deste tipo, de conseguir recursos e entregar aos indígenas. Mas isso era para a Sesai fornecer também. Como que eles vão morrer porque estão com baixa imunidade? Há negligência no básico”, critica a professora Maria Cristina Macedo.A produção de remédios a partir de plantas medicinais, para fortalecer a imunidade dos indígenas e amenizar sintomas gripais, é uma das iniciativas da Rede de Apoio. Foto: Rita de Cassia Pereira Costa

A produção de remédios a partir de plantas medicinais, para fortalecer a imunidade dos indígenas e amenizar sintomas gripais, é uma das iniciativas da Rede de Apoio. Foto: Rita de Cassia Pereira Costa

Rede de apoio e solidariedade

Foi ao identificar essa negligência e a urgência de ações que diversas organizações e pessoas ligadas à causa indígena resolveram se reunir em uma articulação. Assim surgiu a Rede de Apoio Mútuo aos Povos Indígenas do Sudeste do Pará, que conta com a participação de pesquisadores, indigenistas, missionários e militantes vinculados a instituições como a Unifesspa, a Universidade do Estado do Pará (UEPA), o Instituto Federal do Pará (IFPA), o Cimi e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), entre outras.

“Desde meados de abril, quando começaram a aparecer os primeiros casos de covid-19 aqui na região, conversando com professores da UEPA e também da Unifesspa, resolvemos criar uma rede de solidariedade aos povos indígenas. Essa rede foi se estendendo, chegando a outros movimentos, pastorais sociais, da diocese, voluntários e simpatizantes da causa indígena”, conta Zélia.

Além de realizar ações junto ao poder público, campanhas para arrecadação de recursos e produção de remédio a partir de plantas medicinais para fortalecer a imunidade dos povos indígenas, a Rede de Apoio aos Povos Indígenas do Sudeste do Pará também mantém um perfil nas redes sociais, onde divulga os levantamentos diários que faz dos casos entre os povos da região e as campanhas de doação criadas pelos próprios indígenas, como os Aikewara e os Assurini.

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